![]() |
|||||||||
|
|||||||||
|
|
|||||||||
![]() |
m
contemplando meu trabalho como um todo, a primeira idéia que vem
é um composto de preto e vermelho, numa espécie de dualidade
visual, um jogo de oposição entre as letras de um alfabeto,
entre o vermelho e o preto. Esta é a primeira constatação,
depois em observando mais atentivamente, a identidade da letra em vermelho
aparece. Ela é gêmea de uma outra, ela é dupla no texto,
ela é vermelha mas também é preta, de acordo com a
posição que ela toma na palavra que ela ocupa. Ela aparece
sonora, ela é às vezes surda. Um ser com dupla vida, dupla
personalidade, dupla aparência. Assim, no meu trabalho de caligrafia,
a tinta veste de preto o corpo das letras numa ação positiva,
uma a uma elas surgem e se juntam para fixar a imagem de um texto, de um
discurso, para formar uma sociedade de pequenos seres e se fixando assim,
este texto faz surgir em seu seio, seres especiais na cor de sangue, vermelho
ou carmim, denunciando seu caráter duplo de personalidade, fazendo
o espectador ver onde eles se encontram. Letras sonoras, com desenhos elegantes,
plenas de ritmo, impressionantes, às vezes sensuais e presentes por
todo um texto, mas com duplo aspecto... Como um mundo paralelo.
Desde MM03, venho buscando através de estudos repetitivos, rabiscos, exames atentivos através dos alfabetos que executo à mão, ou seja, através de minha caligrafia, e da compreensão da evolução da escrita em todos os tempos, entender a linguagem e o sentido dos signos que constitue a representação gráfica das letras, as transformações e formas diferentes do alfabeto em algumas línguas. Viajando através do passado, naturalmente e me deixando levar pelo interesse pelas letras ou signos, em avançando, me aprofundando, caminhando através dos estudos fui retornando de forma inevitável às raízes de nossos ancestrais na escrita, aos Fenícios. Após pesquisas, investigação, suspeitas, deduções, versões as mais diversas, resolvi criar minha própria representação do signo, da letra ou caractere, de acordo com a forma ou espaço onde estes seres aparecem no meu trabalho. Deformei ou adaptei os alfabetos que utilizo, dando a eles um toque pessoal, fazendo deles minha assinatura, alfabetos Johan. Tenho observado cada signo do alfabeto, (ocidental, hebreu, grego e árabe, alfabetos que me interesso profundamente em conhecer) e tenho seguido o movimento dos traços de cada um deles, o esqueleto da letra, o desenho em sua totalidade, a aparência, a mobilidade, a roupa, o corpo, a importância, a hierarquia, a posição, o grau de intensidade, de força, de fraqueza, a postura, o som de cada um deles, quando estão sós e quando se juntam, e sobretudo o dualismo que alguns destes signos incarnam de acordo com a posição que eles ocupam na palavra e nos alfabetos dos quais eles fazem parte e que eles representam. Os signos ou letras são seres que isolados estão em repouso e se manipulados, são seres ativos e capazes de influenciar, fazer executar, criar, fazer uma ação existir. Para mim, um signo, letra, caractere, pictograma são forças que influênciam a existência em todos os sentidos. Como uma pessoa, eles tem caráter, personalidade própria e se agrupados como uma sociedade, eles podem criar um mundo. Decidí assim, através de minha caligrafia, tornar visível o dualismo na cor, para isso escolhi para representá-las o preto e o vermelho, e nas letras dos alfabetos que caligrafio, escolhi nas linguas ocidentais: o "s" minúsculo; no grego: o "sigma"; no hebreu: o "shin"; no árabe: o "sin". Estas letras ou signos, de que falo, para mim, concentram uma grande quantidade de som nelas mesmas e decidi representá-las em vermelho no ínicio e no meio, e em preto no final de cada palavra que eu caligrafio e nas quais elas se fazem presentes. Para resumir, o conceito que desenvolvi no meu trabalho de caligrafia, é um texto caligrafeado em preto, e a letra ou signo que citei acima em cada língua do texto transcrito, em vermelho ou carmim, fazendo surgir assim vísivel o dualismo que resolví representar. Cada um dos textos executados por mim em caligrafia, representam assim uma sociedade de seres, letras ou signos, plenos de personalidade própria, trabalhando juntos, dando ritmo e beleza a existência do texto por mim caligrafeado, e em meio a esta sociedade, faço surgir com minha pluma carregada de tinta em vermelho ou carmim os seres com dupla personalidade. A dualidade das letras ou signos que escolhi para representar através de meu trabalho de caligrafia têm um caráter especial, particular, místico, e outras interpretações... mas não vou tratar disso aqui, pois isso envolve um outro tratado. |
||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
|
|||||||||